terça-feira, 21 de setembro de 2010

Identidade.

Acabo de ler o livro do jamaicano Stuart Hall, "A identidade cultural na pós-modernidade".
O que entedemos do conceito identidade? No livro, Hall analisa concepções de identidade desde o Iluminismo até o que ele chama de "modernidade-tardia", o atual solo social, político, econômico e cultural que vivemos no século atual. Dentre essas concepções, a que me chama mais atenção é a definida por ele mesmo, dizendo que a identidade é definida históricamente e não biológicamente. Nascemos em uma estrutura de significados, em uma nação, falando uma língua, comendo certos ingredientes e escutando certas músicas, não obstante não estamos isentos das informações externas que produzem e se aderem a nossa idéia de identidade nacional local.
As mudanças ocorridas dentro dos séculos, transitam entre alguns países resistentes a manterem sua identidade nacional com raízes e representações e entre localidades e migrações que não possuem escolha ao se "hibridarem" com outros tipos de cultura, fala, pensamento e estilo.
As questões partilhadas entre as páginas do livro são: o que vem deslocando a identidade nacional para uma identidade global, causada pela maquiavélica globalização? Essa forma global de se interagir entre territórios possui uma forma de poder e atinge a todos? A globalização provoca uma homogeinização da forma de os indivíduos se IDENTIFICAREM ? Ou a globalização caminha para consequências de anulação do que um dia foi uma identidade unificada (inglesismos, brasileirismos etc)?
As questões são inúmeras, e geram o tema do livro, a crise de identidade que possivelmente e claramente tomam conta dos indíviduos modernos.
O livro abre as folhas de um caderno em branco pra quem nunca parou pra pensar em como nosso comportamento e até mesmo nossa individualidade é construída por diversas forças externas que não sabemos que existe. Vivemos uma globalização silenciada e ignorada por muitos, uma globalização formadora de estilos, uma globalização que quebra todos os limites territoriais, culturais e ideológicos.
Crises até mesmo mais subjetivas podem se tornar mais brandas e estruturadas para cada leitor após o encontro com palavras meticulosamente escolhidas por Hall.
Uma leitura teórica válida, pra qualquer idade, pra qualquer crise política, pra qualquer tempo confuso e pra qualquer mente preguiçosa.

Boa leitura e estou de volta.