
Pronto, Anna constatou a situação e o fato, não houve satisfação e agora, quais as implicações?
Depois da percepção ela chega a entender que todo o evento implica em uma vontade interna que não é, e nunca vai ser responsabilidade dos outros satisfazer á Anna. É até um egoísmo colorido da parte dela achar que todo o esperado virá e que todos estão atentos á sua vontade, tudo bem, as pessoas a conhecem e sabem o que lhe seria agradável de receber, mas não é de todo completo.
Percebendo a falta de euforia e sorriso que seria advinda de situações satisfatórias, Anna percebe mais uma vez que o "esperar" custa caro, e custa somente a ela e a seu coração choroso, é preciso a partir das cinzas da quarta-feira, encarar o outro como participação, e não como condição absoluta de toda causa.
O aprendizado começa hoje, é preciso perceber a melhor maneira de lidar com as frustrações, porque elas existem e perdurarão a eternidade meus queridos, Anna esta em primeiro lugar para a própria Anna, e o outro precisa ter o seu lugar no mundo dela, mas que não há faça sofrer.
"... nós superamos as neuroses, mas não nos curamos de nós mesmos ..."
Jean Paul Sartre
Sobre isso, Sartre diria: é a náusea, hehe. E você tem razão... precisamos aprender a lidar com as frustrações, porque se por um lado elas são altamente irritantes, por outro lado podem nos fortalecer e, em certo sentido, progressivamente a nos tirar daquele ideal "um tanto quanto mimado" de que achar que "todo o esperado necessariamente virá", ou até mesmo que os outros são os responsáveis pelo nosso bem estar, pelas nossas satisfações etc. Não, eu não estou dizendo que você (ou Anna) é mimada. Não é isso. É que todos nós temos (inclusive eu mesmo) esse lado "infantilizado"... eu mesmo estou constantamente aprendendo a lidar com certas frustrações (que são inevitáveis por vezes na vida de qualquer pessoa) e constantemente aprendendo a lidar com "meu lado criança". Nietzsche chamaria isso de "tese do otimismo trágico" hehe... isto é, a tragédia como veículo de fortalecimento do indivíduo. Uma ótima maneira de lidar com frustrações - e eu mesmo já lancei mão desse recurso em diversas situações - é fazer o que você faz aqui: escrever, expressar. Nietzsche acreditava que o homem se redimia pela arte, que a única "salvação" estaria na estética artística. Quando você coloca suas palavras na "figura" do personagem Anna, de certa maneira você faz isso, coloca seus "fantasmas" de maneira artística... lida não apenas com suas frustrações, com este mundo "de cabeça para baixo", mas também com seus desejos, com sua intensidade, com sua grande inteligência (que as vezes é amiga, e as vezes inimiga hehe), com suas grandes expectativas em relação ao mundo, em relação às pessoas, em relação às situações etc. Ao invés de tentar "curar" essa "náusea" procurando igrejas que exploram em o povo, ou uma literatura de auto-ajuda barata e vulgar, você faz uma coisa bem mais interessante, bem mais sedutora e - em certo sentido - bem mais autêntica. Parabéns mais uma vez pelo espaço... continuarei acompanhando-o. Independentemente de você estar de saco cheio de conversar comigo ou não hehehe! Vou acompanhar mesmo assim hehe!
ResponderExcluirGrande beijo dona nauseante, nauseada, nausineide e por aí vai hehe
Rafael Issa