quarta-feira, 15 de julho de 2009

A convidada - Beauvoir


" A mulher trouxe a garrafa de vinho. "Pensando bem", refletiu Françoise, "só vou beber um copo ou dois. Não quero que Gebert atribua a minha conduta a uma loucura passageira."__ O que você censura no amor - disse ela - é o fato de não sentir à vontade. Mas não acha que a vida fica mais pobre se recusarmos qualquer contato profundo com as pessoas? __ Mas pode haver outros contatos profundos, além do amor - respondeu Gebert, com vivacidade. Eu coloco a amizade muito acima do amor. Eu me daria muito bem com uma vida só de amizades.Ele olhou para Françoise com certa insistência. Estaria querendo dizer alguma coisa? Que era uma verdadeira amizade que sentia por ela, e que essa amizade era preciosa? "Raramente Gebert diz tanta coisa de si próprio. Há nele uma espécie de acolhimento" - pensou Françoise.__ Eu nunca seria capaz de amar alguém a quem não estimasse primeiro - disse ela. "




Xavierer morre com gás de cozinha, aberto por Françoise, ela tinha seus motivos, teve de matá-la pra se sentir viva novamente. Era uma escolha, não poderia mais viver como uma mulher se os olhos daquela teimosa e mentirosa menina estivem com vida. Pierra a amava e não mais suportava Xavierer, mas não bastava, passou 9 meses vivendo e se preocupando por ela e só encontrou mentiras, sofreu todas as sensações possíveis que um amor e uma dedicação pode causar fisicamente, a morte, a morte teria de fazer parte do roteiro, e fez.


Monique "a" emocionada.


Como Ema Bovary e Menina Má ela me faz sentir saudades.


Fim de mais um lindo romance.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ema Bovary.


Mais uma vez fecho um livro com pesar, Ema não mais será minha companhia, o livro acabou, ficam agora as lembranças de uma corajosa mulher, em alguns momentos vi na personagem uma antiga companhia, a nossa querida menina má.
Os fins são parecidos, são trágicos, a morte as acompanha, junto a um homem fiel e apaixonado. Ema não aguenta a pressão de seus questionamentos, ela se mata, se envenena, seu desespero em muitas páginas relatou uma certa Anna.
Traiu, amou, odiou, se arrependeu, enganou, foi enganada, mas acima de tudo viveu suas angústias, correu entre as colinas para usufruir da luxúria, foi amarga, comprou, se emocionou a tal ponto de desmaiar.
Ficou doente de amor, odiou os padres, odiou a pretensão da ciência, odiou a província. Achou na morte o fim para suas angústias, uma morte feia! Negou a maternidade, algo corajoso para uma mulher, foi sincera, foi além de seu tempo.
Uma mulher marcante, nunca a esquecerei, mais um exemplo a ser pensado em meus dias de vazio.
Madame Bovary

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Leitura.


Esse livro não poderia ter vindo de melhores mãos, a princípio se tornou algo estrangeiro para meu entendimento, mas a motivação logo surgiu de várias partes e uma segunda tentativa para entender o que o historiador egípcio quer dizer, se tornou um objetivo a ser estudado.
Começo hoje uma sequência de textos a respeito dessa obra, hoje, me proponho a escrever os propósitos apresentados no prefácio do livro, para entender essas três palavras Globalização, Democracia e Terrorismo.
As questões que o livro se foca são interligadas, a primeira é perceber a Guerra e a Paz no século XXI, em seguida voltar e atualizar nossas informações sobre o passado e o futuro dos Impérios Globais (dá uma atenção maior é claro aos EUA), logo vamos nos deparar com o Nacionalismo, o futuro da democracia liberal - a ideologia política onde o Estado não interfere na economia e nos direitos dos cidadãos - e por fim o mais atual dos assuntos, a violência e o terror.
Hobsbawm quer com esse livro analisar racionalmente e politicamente o mundo no terceiro milênio, e os problemas que estão em combate.
Apresentando alguns desses problemas temos a Globalização, para entendê-la segundo o autor é preciso estar claro que, com os mercados livres em atividade, a globalização faz disparar os números de desigualdade social nas nações, e são nessas nações que o impacto negativo da grande gama de transformações da globalização é mais sentido. Um exemplo de quem se protege dos efeitos negativos dela são empresários que podem reduzir seus gastos usando de mão de obra barata estrangeira para produzir, percebendo então que a imigrantes são grandes vítimas dessa globalização acelerada.
Outro problema abordado no prefácio e que será analisado no livro, é a Democracia nos discursos públicos ocidentais, até onde a democracia age e pratica o que conceitua. E importante lembrar que o autor não quer apresentar soluções para todos esses problemas e sim quer deixar claro , visível a situação política mundial em que vivemos no século XXI.
Os Estados Unidos da América será sempre criticado nesse livro, e o autor não faz questão nenhuma de esconder isso, Hobsbawm vem de uma formação marxista e materialista, isso vai dar fundamento a muito de seus argumentos. Os 10 capítulos do livro vão tratar especificamente do período de 2000 a 2006, e dentro desse período veremos em 2001, os EUA assumirem uma posição de hegemonia unilateral (quando o poder vem apenas de um lado) sobre o mundo, fazendo guerras e intervenções quando bem entende.
Outros problemas internacionais serão tratados nos textos, a questão do imperialismo dos direitos humanos - quando se deseja uma hegemonia para resolver conflitos através de intervenções armadas sendo humanitárias ou não.
Enfim, todo o cenário internacional será discutido nesse livro, conceitos e informações básicas de como a democracia é entendida e viabilizada no século XXI, de como as intervenções estrangeiras dispertam interesses em Impérios, os efeitos da globalização e muitas outras discussões públicas de interesse mundial serão abordadas nesse curto livro.
Apreciem.
Eric Hobsbawm - Globalização, Democracia e Terrorismo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Vamos ?

Uma vez Anna pensou : " Por que não consigo lidar com as coisas sozinha?" E hoje eu penso em escrever essa resposta. Anna minha querida se um dia chegares a ler isso muito a sério, reflita, a sensação de vazio, de estar sem chão, não poderia vir de uma falta de movimentos ?

O que você faz para preencher sua vida que não seja relacionada ao outro ? O que você faz por si mesma? O que você ama unicamente ?

Se houvesse mais atenção a paixão que existe dentro de nós por algo, os propósitos seriam iniciados, os vazios amenizados, e principalmente, a espera pelo outro seria menos amarga, menos trêmula, menos salgada.

Eis a proposta, vamos nos apaixonar por algo, vamos proporcionar ao outro o amor (não o romântico) vamos promover a reflexão, vamos encontrar um sentido .... o que acha querida Anna ?

Isso tomará nosso tempo, isso transformará nossa rotina, isso nos fará bem ... ao menos vamos tentar que assim seja .


Tulasi.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A noite passada.

Foto: Marcelo Vinci

Anna respirava com dificuldade, seu coração estava em um ritmo que já era de hábito ao final do dia de domingo, era a despedida e o fim de uma boa sensação que se aproximava. Abraçada ao peito de um homem uma mulher nunca se sente uma mulher, se sente apenas viva, um ser vivo, o amor tem dessas esquisitices, concordam?

As lágrimas silenciosas já não podiam ser contidas, ele olhava para o teto, tentando com carinhos leves abafar tal angústia feminina, mas já não estava em seu poder. Anna sabia do sentido total de seu pranto, mas não haviam palavras que pudessem explicar de tal maneira a ser entendida pelo o outro.

Rilke dizia que na solidão os homens aprenderiam mais sobre si e sobre como agirmos no mundo frente aos outros, mas e quando a solidão não produz nada, não produz nenhuma reflexão? Algo estará errado ? Diferentemente do que diz Sartre em "As palavras", nos conta que curamos dia a dia de neuroses e sofrimentos, não obstante nunca conseguimos nos curar de nós mesmos.

O que posso mudar com esses pensamentos? O choro e o sofrimento são flexíveis a uma mudança por vontade, por constatação? Anna não sabe as respostas, mas já constatou como todos esse martírios e sensações agem dentro dela.

Para Anna começa mais uma espera, mais uma contagem, mais uma saudade ...


Tulasi.

terça-feira, 10 de março de 2009

A ilustração.


Foto: Henely Avelar
Alguém já pensou que pode ser realmente verdade esse papo de "pensamento positivo"? Não no sentido em que o Universo conspire a seu favor para que aconteça algo desejado, mas falo mesmo é de um pensamento interno que nós próprios inventamos para nos acalmar ou manter a sanidade.
Anna me contou que por vezes (e muitas) se pega pensando coisas inúteis, impossíveis-fora suas angústias de sempre em relação as pessoas, lugares e submissões-mas o que ela quis me contar mesmo é que percebeu a existência de uma maneira além da leitura e da escrita em que ela consegue de uma certa forma "enganar" sua lamentações e angústias, ela criou um sistema de pensamento que funciona mais ou menos assim:
Quando o sentimento é referente a saudade, ela não conta mais os dias no calendário e nem fica pensando o que poderia estar acontecento se não houvesse a distância, ela pensa que existem várias coisas a serem feitas por ela até que o último risco no calendário esteja no dia esperado.
Outro exemplo, domesticar o pensamento (no sentido mais leve possível da palavra) a não esperar. Não esperar ninguem, nenhum fato, nenhuma hora, nenhum presente, nada. O que virá, o que acontecer, terá o sabor mais quente, vai fazer o coração disparar cheio de borboletas e fará um poco mais de sentido.
Anna descobriu, que para fazer sentido(TUDO) só dependerá dela, de sua razão e de como pretende conviver com o que a própria, construiu dentro de si.
Construções e Divagações.
Tulasi.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O inverso.


Pronto, Anna constatou a situação e o fato, não houve satisfação e agora, quais as implicações?
Depois da percepção ela chega a entender que todo o evento implica em uma vontade interna que não é, e nunca vai ser responsabilidade dos outros satisfazer á Anna. É até um egoísmo colorido da parte dela achar que todo o esperado virá e que todos estão atentos á sua vontade, tudo bem, as pessoas a conhecem e sabem o que lhe seria agradável de receber, mas não é de todo completo.
Percebendo a falta de euforia e sorriso que seria advinda de situações satisfatórias, Anna percebe mais uma vez que o "esperar" custa caro, e custa somente a ela e a seu coração choroso, é preciso a partir das cinzas da quarta-feira, encarar o outro como participação, e não como condição absoluta de toda causa.
O aprendizado começa hoje, é preciso perceber a melhor maneira de lidar com as frustrações, porque elas existem e perdurarão a eternidade meus queridos, Anna esta em primeiro lugar para a própria Anna, e o outro precisa ter o seu lugar no mundo dela, mas que não há faça sofrer.
"... nós superamos as neuroses, mas não nos curamos de nós mesmos ..."
Jean Paul Sartre

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O local.


Foto: São Paulo - Estação da Luz.
O lugar que Anna vive, faz de Anna mais doce? Não há uma concordância favorável a lugares, pessoas, fatos e desejos. Não obstante o externo lhe diz tudo, lhe causa tudo e mais um pouco.
Anna observa tudo que lhe acontece de uma maneira pesada, todos os fatos e companhias são á ela muito caros, mas e o lado de lá, retribui?
Na maioria das vezes não, mas será que o que esta a nossa frente deve realmente nos fazer bem? Será que o local e as pessoas que frequentamos tem de ser obrigatoriamente selecionados por nossos questionamentos intelectuais?
Ou tudo seria mais fácil de uma meneira que o raio X proporcionado pela leitura, pudesse ser desligado e as diferenças pudessem ser digeridas a cada nova praça que pisamos?
Anna se confunde, mas ainda não superou a síndrome de solidão e a possível intolerância que sustenta sua alma seletora.
Bom final de seman leitores.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O corpo.


Foto: Henely Avelar.
Anna deita-se de lado, a lágrima escorre de um olho ao outro, as imagens a emocionaram do começo ao fim, não pode deixar de relacionar as leituras poéticas com as imagens do filme romântico. Permaneceu em um choro quieto e sem expressões, até que o telefone a despertou de uma angústia que tinha nome, tinha forma e tinha cheiro. Ela sentia saudade e seu corpo a informava sobre tal, a posição fetal lhe fez adormecer com os olhos ardentes e seu coração a cada batida ficava mais doce.
Viva o amor dos jovens poetas !!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A descoberta.

- Hora Grave

"Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.

Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.
Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim."

Rainer Maria Rilke

(Tradução: Paulo Plínio Abreu)

Tem no colo o livro "Cartas a um jovem poeta", Rilke incrivelmente mudou seus pensamentos em apenas 2 horas da noite chuvosa de ontem, todos aguardavam o trajeto e Anna suspirava sob as palavras doces de Rilke para seu aprendiz. Quanto amor, quanta paciência e quanta solidão. Ainda arrepiada ela se sente com essa descoberta.


Bom Dia.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

As cores.



Foto: Henely Avelar.

Anna acorda todos os dias no mesmo horário, sabendo que não deveria estar indo pra lá, não obstante procura algo em que possa olhar e firmar os pés para tal propósito. Seu foco busca do bolo de fubá na mesa do café,ao arco colorido que se forma no céu devido a indecisão do tempo.

Ela sai, anda e passa pelos mesmo vizinhos e telhados a partir daí sua prisão já foi condenada, sua liberdade já esta suplantada a um horário e um sorriso montado que dura por 8 horas. Inventa caprichos, pensa em músicas e trechos que alivie o pensamento que de que deveria estar em outro lugar.

O eterno desencaixe.

Bom dia .

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Ralo.


Na foto: Tulasi.
Anna sente a sensação de tudo escorrer, tudo passar por entre seus dedos tomando outros e novos sentidos : " O quanto da verdade aguentamos?" ele diz á ela, ele repete a cada respiração. Anna ouve, todas escutam mas será que entendem? Será que enfrentam ? Só há uma resposta, se for de todo amor, de puro amor e amizade, sim há o confronto.
Se não, o comodismo assume seus posicionamentos mais inabaláveis e escorre tudo pelo ralo, o meu ralo, o seu, qualquer ralo.
Boa Tarde minhas queridas.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A poesia.

Foto: Henely Avelar.

"Abro as veias: irreprimível,
Irrecuperável, a vida vaza.
Ponham embaixo vasos e vasilhas!
Todas as vasilhas serão rasas ... "


Marina Tsvietáieva


Um verso que o contra sujeito da noite chuvosa mostrou a Anna.
Bom Dia.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O vício.


Foto: Andrey Borges.
As vitrines estão limpas, mostram do brilho ao fosco, do médio ao luxuoso. Todos os itens tem estampados a marca globalizante da desordem que vive o mundo de hoje, Anna não pensa em viver de trapos e comer pão com manteiga, Anna compra e se veste peculiarmente a sua forma, não obstante pertence a uma bolha de questionamentos sobre o consumo e as atitudes advindas do mesmo.
Ela pensa então na seguinte frase :
"O trabalho não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades."
Marx
Tenham um Bom Dia companheiros.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A música.


Foto: Henely Avelar.
Que a música esteja na rua, no sangue da família ou no ouvido de quem não entende um Dó maior, não importa, sem ela os filmes não teriam emoção, as noites de amor não teriam calor e o choro que leva Anna a perceber sua dor não seria tão salgado.
Ecoa em seus ouvidos hoje o trecho " They don´t speak for us" até que toque os sinos as seis vezes e Anna se livre do momento de postura que lhe arde os olhos.
Bom Dia.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A mesa.


Desilusão? Desconforto? É, as possibilidades de sentimentos que podem se unir são incontáveis, a cerveja viria apenas como um gosto amargo e uma ocupação da mão, a conversa ou o olhar faz parte de um jogo que nem mesmo nome se pode dar.
Existe a necessidade em Anna de que o propósito de estar seja claro, que o contato proposital ou não, seja doce. Quando o assunto é pouco, a mentira é muita junto a pose que o ser humano persiste em manter, o sentido vira vento. E Anna pergunta, onde está a resposta? Esta na sua renúncia? Esta voando por ai como afirma as músicas Dylianas?
Que a segunda seja leve para Anna.
Foto: Andrey Borges.