segunda-feira, 30 de março de 2009

Vamos ?

Uma vez Anna pensou : " Por que não consigo lidar com as coisas sozinha?" E hoje eu penso em escrever essa resposta. Anna minha querida se um dia chegares a ler isso muito a sério, reflita, a sensação de vazio, de estar sem chão, não poderia vir de uma falta de movimentos ?

O que você faz para preencher sua vida que não seja relacionada ao outro ? O que você faz por si mesma? O que você ama unicamente ?

Se houvesse mais atenção a paixão que existe dentro de nós por algo, os propósitos seriam iniciados, os vazios amenizados, e principalmente, a espera pelo outro seria menos amarga, menos trêmula, menos salgada.

Eis a proposta, vamos nos apaixonar por algo, vamos proporcionar ao outro o amor (não o romântico) vamos promover a reflexão, vamos encontrar um sentido .... o que acha querida Anna ?

Isso tomará nosso tempo, isso transformará nossa rotina, isso nos fará bem ... ao menos vamos tentar que assim seja .


Tulasi.

2 comentários:

  1. Eu resolvi isso de uma maneira muito simples: só amo a mim mesmo.

    Pronto.
    Rafael

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  2. Rousseau, filósofo de Genebra, disse em sua mais famosa obra ("Discurso sobre as Origens das Desigualdades Entre os Homens") que o "homem natural" (isto é, o homem que precede o homem da civilização) dependia muito pouco de outras pessoas. A tese é de que os homens não eram muitos, e viviam bem espalhados pelo mundo, e as relações que eles travavam eram esporádicas. As relações sexuais, por exemplo, eram completamente desprovidas de envolvimento afetivo, não existia a família etc. É com a civilização (que, segundo Rousseau, surge com o advento da propriedade privada) que você vai ter a "moral do amor". Rousseau acreditava que essa "moral do amor" seria um ficção suscitada pela sociedade. De qualquer forma, é com a civilização que - para o filósofo de Genebra - nós passamos a nos tornar emocionalmente dependentes de outras pessoas e a estabelecer vínculos. Eu pessoalmente acho que o interessante é buscar um meio termo: nem almejar uma auto-suficiência impossível, e nem ter uma dependência excessiva de outras pessoas. Encontrar, enfim, um ponto de equilíbrio... ter um tempo para amar, para dedicar às pessoas que amamos, e também ter um tempo para dedicar aos nossos próprios projetos individuais etc. Eu acho um caminho muito perigoso (e muita gente vai por ele) apostar toda as fichas de sua "salvação existencial" em relações afetivas com outras pessoas. Conheço mulheres (e aí eu estou dando uma exagerada, porque evidentemente esse não é seu caso) cuja única meta era se satisfazer no amor... arrumar um bom rapaz, amar, namorar. Essas mulheres acabaram descuidando-se de objetivos próprios, profissionais etc, e muitos anos depois, fazendo uma análise crítica do que foi suas vidas, acabaram frustradas. Por isso, é importante que, ao nos relacionar com os outros, nós sejamos capazes de fazer com que esse outro (ou "esses outros", no plural) venham a acrescentar, e não limitar, fechar, bitolar.

    Beijos Nausineide
    Rafael

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